Bruno Santos pelo Haiti

October 20, 2017

Conversamos com o fotógrafo Bruno Santos sobre os caminhos da fotografia, a relação da profissão com o agir social e sobre o projeto Criativos pelo Haiti, parceiro da Moko na coleção We Can Love.

 

Bruno Santos era pequeno quando o pai lhe presenteou com uma câmera fotográfica analógica. Os olhos brilharam já no primeiro ajuste de foco. “Foi ali que eu percebi: tem alguma coisa aí”, conta ele. Hoje, fotógrafo profissional, alia o cuidado com o social ao seu projeto de vida na fotografia.

 

O Bruno é um grande parceiro da Moko. Além de fotografar editoriais de algumas de nossas coleções, ele também é o responsável pelas fotos que estampam a coleção We Can Love, parte do Projeto Dois. A história é difícil de imaginar: em seu primeiro dia de trabalho voluntário no Haiti, conheceu um menino chamado “Wecanlove”. O pai deu esse nome para o filho sem nem saber o que significava. De mãos e rosto sujos de tinta, o menino entregou a resposta que o Bruno esperava. “Muita gente fala: por que vocês vão pro Haiti, se tem tanta coisa para fazer aqui? Chego lá e a primeira resposta foi essa. Porque a gente pode se amar, pô”.

Antes de se envolver com a ONG Criativos pelo Haiti, Bruno chegou a se formar em Educação Física e até atuar na área. Quando quis começar a trabalhar com fotografia, os pais não receberam tão bem a notícia. Contudo, o amor pela câmera era mais que um hobby. “Bati o pé, fiz um curso de um ano e fui trabalhar em um estúdio”.

 

Começou como todo começo de profissão. Fazia de tudo. Fotos em bares, casamentos e viagens. Até descobrir aquilo que gostava de fazer e faz desde então: os ensaios femininos e os projetos sociais.

 

A proposta começou quando recebeu um convite da ONG Transforme Sorrisos para acompanhar os voluntários a uma viagem ao Haiti. Topou na hora. A proposta foi feita pelas irmãs Mirela e Mirna Nogueira, que atuam no país desde o terremoto de 2010. Esteve 15 dias no país junto a uma equipe de 9 pessoas, fotografando e facilitando oficinas para as crianças. Como todos os voluntários se relacionavam de alguma maneira à arte, se entendiam como os “criativos pelo Haiti”. Começou aí.  Na segunda viagem que fez ao país, percebeu que precisava de financiamento. “Um dos orfanatos que tínhamos visitado na primeira viagem, em 2015, estava sem água, as crianças doentes e não havia banheiro”.

 

Foi aí que teve a ideia de juntar os ensaios ao agir social. Em setembro de 2016, iniciou o projeto “Elas pelo Haiti”. Começou a fotografar mulheres, sempre em luz natural e em situações cotidianas, sem depender de maquiagem, cabelo e produção. Baixou o custo dos ensaios e converteu toda a renda para a viagem e para a compra de materiais ao orfanato, onde reformaram um banheiro e finalizaram a construção de um poço. Dessa vez, a viagem e a arrecadação foram feitas em parceria com o Ricardo Martins, tatuador que coordena o projeto Arte Ataque Oficina.

 

Hoje o projeto está ainda maior. O “Elas pelo Haiti” ganhou tamanho e agora atende por “Elas pelo Mundo”. “A ideia é criar um fundo para que a gente continue fazendo esse tipo de trabalho”, conta Bruno. As fotos fogem do senso comum dos ensaios femininos.  Cada imagem mostra “a mulher por ela mesma”, sem precisar forçar a sensualidade. “Comecei a perceber que sempre tinha uma coisa que incomodava (a fotografada), uma parte do corpo. Mesmo assim, todas têm a sua beleza. Isso que eu quis começar a mostrar com esse trabalho”. O efeito foi positivo: “não sabia que eu era bonita”, contava uma das participantes. Outra postou em sua rede social “Tenho medos, sinto vergonha por não ter um corpo perfeito e não me sentia confortável em mostrar minhas imperfeições. (...) Mas quer saber? Nesse turbilhão de gritos, de marchas, de empoderamento, de inspiração, de mulheres fortes ajudando umas às outras, eu resolvi dar o meu grito”. Se resgatou a auto estima.

 

Assim, os dois trabalhos se alinharam. As fotos do Haiti e os ensaios têm um objetivo: mostrar a beleza que existe na realidade. “Não quero fazer ensaios e depois ter que mudar com programas de edição de imagem. Todo o trabalho que eu tenho é mostrar a beleza na simplicidade. Meu objeto de pesquisa são os seres humanos”, afirma Bruno.

 

 

 

Cada vez mais envolvido com o agir social através da fotografia, o Bruno chegou a ir ao Haiti pela terceira vez, auxiliando o projeto Criança que Dança Haiti. Foi junto com os dançarinos Patrícia Machado e Raphael Fernandes. Lá aconteceram oficinas de dança contemporânea e Hip Hop.Conheceu histórias de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade que leva para vida. Aos poucos, entendeu o motivo de ir tantas vezes ao país: “Os 5 dias que estivemos lá, já deixou uma chama acesa na vida daquelas pessoas”.

 

Ano passado conseguiu levar as fotos impressas aos fotografados de 2015, no Haiti. “Foi um dos momentos mais irados que já presenciei”. Conta que as crianças se amontoavam ao redor do caminhãozinho e corriam, ansiosas, para pegar sua foto. Quando iam se reconhecendo, celebravam. É a essência do seu trabalho: permitir que alguém se sinta tocado. Confira:

 

 

As fotos estão disponíveis em sua conta do Instagram e Facebook @brunosantosfotografia e @elaspelohaiti. Na internet, tem mais de um Bruno Santos fotógrafo. Mais um desafio para o Bruno: “agora eu tenho que ser O Bruno Santos da fotografia”. Não vai ser difícil. Basta acompanhar um pouco do seu trabalho para se encantar com as histórias que cada foto conta.

Se o Bruno promove o despertar social através da fotografia, a Moko promove o despertar social através das camisetas. Por isso as fotos do menino Wecanlove viraram uma coleção do Projeto Dois da Moko, que você pode conferir aqui. 100% do lucro das vendas da camiseta são revertidas para a ONG Criativos pelo Haiti.

As histórias completas do Bruno sobre sua caminhada, sobre a fotografia e sobre os projetos que participa você pode acompanhar no podcast abaixo!